O sincretismo cultural e seu papel na formação da Umbanda no Brasil.

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Dentro das indagações do ser humano, o saber e o “falso saber” se confundem e a melhor maneira para se evitar esta confusão é a busca legítima do conhecimento.

Dentro das indagações do ser humano, o saber e o “falso saber” se confundem e a melhor maneira para se evitar esta confusão é a busca legítima do conhecimento. Seja esta busca de maneira espiritual (empírica) através da mediunidade e trocas com as entidades seja através de estudos e análises do conhecimento adquirido e publicado. Quando se trata de fé, diferente de outras variáveis estudadas e controladas no ambiente acadêmico, o empirismo e a magia do inexplicável devem ser levado em consideração e não refutado como de praxe pelo rigor metodológico necessário ao ambiente estritamente científico.

No contexto de discussão sobre sincretismo religioso, levando em consideração o pensamento sistêmico, o profano e o sagrado se misturam com a ciência, o empírico e a fé.

Orientados pelo principal objetivo de manter os pés no chão, iremos discutir e analisar o sincretismo dentro do paradigma da complexidade.

Na busca de referencial sobre esta temática, facilmente depara-se com uma quantidade inimaginável de textos que contêm “de tudo” (paixão, ideologia, preconceito, militância, ignorância, racismo e etc.) menos textos com sólido embasamento (fundamentação) e isenção de opiniões pessoais. Diante de tal constatação, torna-se óbvio que o questionamento da metodologia adotada na busca destes referenciais torna-se essencial.

Com base em diversos textos disponíveis na internet e bibliografias de referência, uma conclusão é possível: sincretismo é um tema polêmico e quando adicionamos a palavra Umbanda a um site de busca, o radicalismo se acentua. Alguns adeptos de outras religiões não escondem o preconceito e a ira que sentem contra essa corrente. Em muitos textos se encontrou calorosa guerra entre umbandistas e evangélicos, denotando a passionalidade do assunto que pouco contribui para o genuíno conhecimento.

Continuando a busca, dentro dos textos umbandistas identificam-se diversas opiniões, explicações, algumas a favor do sincretismo, outras contra, algumas de caráter científico, outras leigas, mas por hora nada que possibilitasse chegar a alguma conclusão.

Antes de prosseguirmos a pesquisa, buscamos auxílio nas mais tradicionais fontes de dados, que seriam o dicionário e a Enciclopédia.

A seguir a definição de sincretismo e umbanda:

Umbanda segundo o Aurélio (versão 2011): “1. Bras. Rel. Sincretismo nascido no Rio de Janeiro na virada do século XX e talvez derivado da cabula (q. v.), que já no fim do século XIX registra elementos bantos, espíritas e palavras do jargão umbandista atual; hoje, a umbanda apresenta-se fracionada em dezenas de grupos que englobam influências esotéricas, cabalísticas, orientais, católicas, etc. [Cf. macumba (3) e quimbanda (1).] 2. Angol. Artes da feitiçaria. Umbanda branca. Rel. Culto umbandista muito próximo ao kardecismo, que só trabalha para o bem e no qual só se usam roupas rituais simples e brancas; umbanda de branco, umbanda de cáritas, umbanda de linha branca. Umbanda de angola. Rel. Culto umbandista muito influenciado pelo candomblé de rito angola, tal como o culto omolocô (q. v.). Umbanda de branco. Rel. V. umbanda branca. Umbanda de cáritas. Rel. V. umbanda branca. Umbanda de linha branca. Rel. V. umbanda branca.”

Umbanda segundo a Enciclopédia (versão 2011): “UMBANDA s.m. (termo de origem banto, de significado análogo ao de quimbanda) Grão-sacerdote adivinho ou médico-feiticeiro. / – S.f. Bras. (RJ) Designação dos cultos afro-brasileiros, que se confundem com os da macumba e dos candomblés (BA), do xangô (PE), da pajelança (Amazônia), do catimbó (NE) e outros cultos sincréticos. / Terreiro onde se pratica esse ritual.”

Sincretismo segundo o Aurélio (versão 2011): “Substantivo masculino. 1. Filos. Tendência à unificação de ideias ou de doutrinas diversificadas e, por vezes, até mesmo inconciliáveis. [Cf., nesta acepç., ecletismo (1).] 2. Amálgama de doutrinas ou concepções heterogêneas: “As inteligências que mais ou menos diretamente nos governam estão com relação à administração ultramarina num estado de sincretismo bramânico, em que nada se compreende, em que nada se resolve” (Ramalho Ortigão, As Farpas, IV, p. 270). 3. Fusão de elementos culturais diferentes, ou até antagônicos, em um só elemento, continuando perceptíveis alguns sinais originários. 4. Psicol. Percepção global e indistinta, da qual surgem, depois, objetos distintamente percebidos.”

Sincretismo segundo a Enciclopédia (versão 2011): “SINCRETISMO s.m. Sistema filosófico ou religioso que tende a fundir numa só várias doutrinas diferentes; ecletismo. / Amálgama de concepções heterogêneas. / Psicologia Percepção global e confusa que, segundo certos psicólogos, seria a primeira percepção da criança, e da qual emergiriam em seguida objetos distintamente percebidos.”

Interessante notar o conjunto de palavras que surgiram nos instrumentos apresentados acima (dicionário e enciclopédia):

Elementos bantos, espíritas.
Influências esotéricas, cabalísticas, orientais, católicas.
Artes da feitiçaria.
Umbanda branca.
Muito próximo ao kardecismo.
Umbanda de branco, Umbanda de cáritas, Umbanda de linha branca e Umbanda de angola.
Influenciado pelo candomblé de rito angola.
Culto omolocô.
Origem banto.
Adivinho ou médico-feiticeiro.
Cultos afro-brasileiros.
Macumba.
Pajelança.
Catimbó.
Outros cultos sincréticos.
Partindo desta análise, pode-se inferir a complexidade e múltiplas influências que a Umbanda sofreu em seu longo caminho, desde a invasão das terras indígenas pelos portugueses, os séculos seguintes de dominação, exploração e miscigenação cultural em solo brasileiro até o seu surgimento, já no século XX. No termo sincretismo percebe-se a ideia de fusão, ligação de ideias (princípios filosóficos ou religiosos).
Sincretismo e Umbanda são inseparáveis, muitos autores diferem no grau de influência afro, kardecista, católica, indígena entre outras, mas praticamente em sua totalidade os autores concordam que a Umbanda é fruto do sincretismo.

Refletindo, será que existe alguma religião isenta de influências, isenta de sincretismo?
Será que existe um ser supremo legitimo (não sincretizado)? Seria o grande arquiteto, Zambi, Deus, Buda, Shiva, Krishna, Javé, Obatalá, etc? Os demais seriam derivações (consequências sincretizadas)?
Ou o homem dentro de sua grande limitação necessita de analogias, contextos para poder espreitar o divino?
E será que esta artimanha é que se sincretiza com outras artimanhas? Depois de tantas indagações torna-se legitimo pensar, os Orixás, os Deuses, não sincretizam! Quem sincretiza é o homem na sua ânsia compreender o divino.

Novamente, conclui-se que sem sincretismo não existiria a Umbanda. Falar em cultura e vida social no Brasil é falar no multiculturalismo, na influência de todos os povos que aqui estiveram entre eles negros, índios, povos asiáticos e do velho continente, como os jesuítas e a imposição do catolicismo, facilmente notável em nossos hábitos, fazeres e preconceitos cotidianos. Preconceitos não necessariamente negativos, mas sim na ideia de “pré – conceito” onde julgamos conhecer e realizamos um conceito “pré” mesmo sem conhecer. A existência do preconceito denota reflexos de uma cultura (e porque não dizer culturas).

Ressalta-se que quando se fala em povos índigenas e africanos no Brasil, estamos citando um sem número de culturas diferenciadas tanto pré-cabralinas (no tocante aos nativos desta terra), quanto africanas (no que diz respeito aos cativos vindos da África). Não é apenas citar o mito das três raças (brancos, negros e índios), mas sim uma enormidade de culturas, povos e jeitos de ver, viver e fazer a vida em sociedade e também de saudar e conviver com a religiosidade.

Com relação à Umbanda, partindo da linha de raciocínio que a mesma foi fundada por Zélio de Moraes, pode-se supor que a mesma possui um sincretismo pensado; o mestre Zélio e os precursores dessa nova corrente religiosa retiraram das macumbas cariocas uma série de conceitos que eram considerados primitivos, desnecessários ou ultrapassados e utilizaram hábitos e fazeres alinhados com o espiritismo Kardecista para a criação de uma nova religião que não poderia ser chamada de Kardecista ou afro-brasileira, mas mista (sincretizada). Ao retirar as práticas de suas origens e “mistura-las” em um novo ritual, estas perdem a personalidade que possuíam e passam a possuir novo significado dentro uma nova religião: Umbanda.

A máxima de que cada pai de santo toca seu ritual da forma que prefere resume bem essa ideia. Alguns tendem para o lado das africanidades, outros do espiritismo kardecista, outros candomblé e assim por diante. Ainda, existe uma forte influência católica, inegável no sincretismo criador da nossa religião.
É desse “caldo” cultural que nasceu a Umbanda.

Sincretismo, assim, tem vários significados. Mas o principal, no tocante à Umbanda, é a ideia de “bricolagem” ligada ao antropólogo Levy Strauss. Nessa teoria, as culturas só se “sincretizam”, se conectam formando novas culturas, nos pontos onde possuem semelhanças. Por exemplo, a cultura banta (africana) conectou-se com o espiritismo kardecista (de origem europeia) na questão relativa ao culto aos antepassados, à comunicação com espíritos. Os povos indígenas utilizavam os poderes mágico-religiosos de seus pajés para a cura, assim como outros povos africanos e os guias do oriente umbandistas.

Naquilo que possuem em comum, acontece o sincretismo: Ogum é São Jorge pelas características comuns do santo e do orixá enquanto guerreiros. Os caboclos de Ogum, desta forma, são uma ocorrência puramente umbandista, pois reúnem em si a manifestação da natureza do orixá ioruba (Ogum), a figura do caboclo (reconhecida como oriunda dos povos sertanejos unicamente do Brasil) e o imaginário católico sobre o Santo Guerreiro. Assim, da fusão de vários elementos nasce um personagem único, existente apenas em nosso país e na Umbanda, o Caboclo de Ogum.

Mesmo a ideia de um Deus maior é coincidente entre estas várias correntes religiosas: Zambi para os bantos, Jeová para alguns cristãos. Na internet existem referências dizendo que a origem da palavra “Oxalá” é Árabe, sendo uma distorção do famoso Inshalla (Deus queira, Deus permita), provavelmente uma reminiscência da dominação muçulmana em regiões do continente africano.

No Brasil, a grande ocorrência de dicotomias e convergências acabaram sendo criadoras de um multiculturalismo fantástico, inexistente em outras partes do planeta. A Umbanda pode ser entendida tanto como fruto e filha desta “panela de pressão” étnica, como seu principal exemplo, pois possui em seu corpo exemplos de tudo e todos que constituem nossa nação e cultura.

Longe de estar “pronta”, essa nova corrente religiosa vai se adaptando aos tempos, evoluindo junto com o ser humano e, sem sombra de dúvidas, fortalecendo sua personalidade enquanto religião desprovida de dogmas e regras rígidas, mostrando sua seriedade e virtudes, derrubando preconceitos e quebrando paradigmas.

Grupo de Estudos Terreiro do Pai Maneco
O sincretismo cultural e seu papel na formação da Umbanda no Brasil.

Edgar Cavalli Junior
Paulo C. Porto Martins
Rodrigo Fornos

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Pierre Verger nasceu em uma família abastada e freqüentou a sociedade burguesa de Paris do início do século 20, apesar de não se sentir a vontade nesse meio social. Aos 30 anos, já sem o pai e com a morte da mãe, decidiu que não viveria além dos 40 anos: se o seu fim não fosse natural, deveria ser pelo suicídio. Até lá, restava-lhe aproveitar bem os anos que tinha pela frente. Descobriu, então, suas duas paixões: a fotografia e as viagens.

Com uma câmera Rolleiflex e noções de fotografia aprendidas com o amigo Pierre Boucher, partiu para o Taiti. Essa acabou sendo apenas a primeira de muitas viagens feitas ao redor do mundo durante 14 anos. Para sobreviver, Verger vendia suas fotos para a imprensa e centros de pesquisa. Paris era uma base, onde mantinha com amigos a agência de fotógrafos Alliance Photo.

Em 1946, desembarcou em Salvador, na Bahia, onde o atraíram a hospitalidade e riqueza cultural que encontrou na cidade. Apaixonou-se pela história dos afrodescendentes e pelo candomblé. Esse interesse lhe rendeu uma bolsa de estudos na África, para onde partiu em 1948. Lá, em 1953, foi iniciado na religião dos povos iorubás como babalaô (“pai do segredo”) e recebeu o nome de Fatumbi, “nascido de novo graças ao Ifá”, sendo o “Ifá” um oráculo daquela crença.

A história, os costumes e a religião praticada pelos povos iorubás e seus descendentes, na África e na Bahia, passaram a ser os temas centrais de sua obra. Além de uma vasta pesquisa fotográfica para o Instituto Francês da África Negra (IFAN), começou a escrever suas impressões. Como colaborador de várias universidades, registrou suas pesquisas em artigos, comunicações e livros. Nos anos 1960 seu trabalho foi reconhecido internacionalmente e ele recebeu o título de doutor pela Universidade Sorbonne.

Em 1973, a pedido do Itamaraty, Verger começou a organizar o Museu Afro- Brasileiro da Bahia, em Salvador, cuja direção foi assumida pela Universidade Federal da Bahia (UFBa). A mesma Universidade lhe conferiria o título de Professor Adjunto em 1979.

Nos últimos anos de vida, a grande preocupação de Verger passou a ser a garantia de acesso às suas pesquisas a um número maior de pessoas e a sobrevivência do seu acervo. Na década de 1980, a Editora Corrupio cuidou das primeiras publicações no Brasil.

Em 1988, Verger criou a Fundação Pierre Verger (http://www.pierreverger.org/br/index.htm), da qual era doador, mantenedor e presidente, transformando a própria casa num centro de pesquisa, cujo acervo contém cerca de 60 mil negativos de fotos suas.

 

Fonte: “Pierre Fatumbi Verger: um Homem Livre”, Jean Pierre Le Bouler, Fundação Pierre Verger.

Veja o artigo original em https://educacao.uol.com.br/biografias/pierre-verger.htm?cmpid=copiaecola

Pierre Verger – O francês apaixonado pelos Orixás

 

❤ Apaixonada ❤                

Visite o post original e baixe as músicas

Esta série de 12 programas de rádio busca desvelar o universo das crenças, mitos e conceitos das religiões brasileiras de matriz africana ao mesmo tempo em que as relaciona com a diversidade da música brasileira. Através de lendas, relatos, toques e cantigas, o entedimento de mundo contido na religiosidade afro-brasileira apresenta-se como um conhecimento oral e colaborativo, construído por sucessivas gerações e por uma diversidade de vozes e influências. O rádio é, portanto, um meio ideal para que esta oralidade se multiplique. A música, elemento fundamental, seja nos rituais por sua dimensão sagrada, ou como síntese das influências culturais no cancioneiro popular, é o elemento que une as práticas religiosas ao cotidiano, contextualizando para os ouvintes versos tão conhecidos e servindo de ponte para um entendimento maior da influência da cultura africana no Brasil. Cada episódio é focado em um orixá específico, suas especificidades, histórias e mitos, que se desdobram em questões fundamentais para esta cultura. Seria impossível que esta série buscasse dar conta da imensa diversidade contida nos universos de matriz africana, de suas diferentes nações, de suas diferentes influências regionais que no Brasil enriqueceram-se umas as outras. Por isso, cada programa se propõe a oferecer um despretensioso retrato sonoro dessas imponentes personagens já tão enraizadas na cultura e na música brasileira.

 

*imagem: Pierre Verger (retirada da internet)

A Força dos Orixás – mitologia e história contadas pela música brasileira

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A Umbanda foi criada em 1908 pelo Médium Zélio Fernandino de Moraes, sob a influência do Caboclo das Sete Encruzilhadas, porém, antes disso, já haviam indícios da presença de guias espirituais na história brasileira — por exemplo: na época das senzalas, os negros escravos costumavam incorporar o que hoje chamamos de Pretos-Velhos, que para eles, eram antigos escravos que, ao darem-se incorporados, compartilhavam conselhos e consolo aos atuais escravos —, assim como religiões ou simples manifestações religiosas espontâneas cujos rituais envolviam incorporações e o louvor aos orixás. Entretanto, foi através de Zélio que organizou-se uma religião com rituais e contornos bem definidos à qual deu-se o nome de umbanda.

Após estabelecer as normas em que se processaria o culto, deu-lhe também o nome, anotado por um dos presentes como Allabanda, substituido por Aumbanda, que em sânscrito pode ser interpretada como “Deus ao nosso lado” ou “o lado de Deus”. O nome pelo qual se popularizaria, entretando, seria o de Umbanda.

Nesta época não havia liberdade religiosa. Todas as religiões que apontavam semelhanças com rituais africanos eram perseguidas, os terreiros destruídos e os praticantes presos.

Em 1920 no Rio de Janeiro, o médium Benjamin Gonçalves Figueiredo, teve a primeira manifestação de uma entidade que identificou-se como Caboclo Mirim. Durante os primeiros anos de sua ligação com a Umbanda, Benjamin foi auxiliado no seu desenvolvimento pelo médium Zélio Fernandino de Morais.
O Caboclo Mirim vinha com a finalidade de criar um novo núcleo de crescimento para a Umbanda e assim, toda a família do médium foi chamada a participar. Eram ao todo 12 pessoas que deram início em 1924 ao que foi chamada a Seara de Mirim. Localizada à rua Sotero dos Reis, 101, Praça da Bandeira; mudou – se, posteriormente, para a rua São Pedro e depois para a Rua Ceará, hoje Avenida Marechal Rondon, 597. Ainda sob a orientação dessa entidade, deu-se a fundação do Primado de Umbanda, uma das primeiras federações umbandistas do Brasil, criada para difundir e estimular o estudo da religião de Umbanda e dos seus reais ensinamentos.
Hoje, a Tenda Espírita Mirim, uma organização religiosa sem fins lucrativos, contem 12 filiais e aproximadamente 4000 (quatro mil) médiuns, sobre o comando geral do nosso Presidente, Sr. Mirim Paulini Figueiredo, e de nossa Vice-Presidente, Sra. Janaina Figueiredo.
 
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Benjamim Figueiredo fundador, e médium do Caboclo Mirim.

Instruções do Caboclo Mirim

Através de seu médium, o Caboclo Mirim apresentou várias orientações sobre o comportamento do filho de Umbanda, tanto na sua postura no terreiro como em sua vida, apresentamos os conselhos:
 
1. Abra o seu corpo, esqueça a vida material e fale somente o necessário.
2. Não interceda no comportamento de ninguém, por mais estranho que seja, respeitando a todos indiscriminadamente, pois assim estará respeitando a si próprio.
3. Não ria nem caçoe de ninguém, mantendo o silêncio absoluto e total. Não ache graça nas Entidades incorporadas, pois as mesmas comportam-se de diversas maneiras, dependendo do cavalo, isto faz parte dos trabalhos. Respeite o Iniciante incorporado, mesmo achando que o mesmo não esteja firme com o Guia, pois os mesmos estão em Evolução como todos nós e fazem parte importante nos nossos trabalhos.
4. Evite o contato físico com os outros, não ponha a mão na cabeça de ninguém, pois você desconhece o que as pessoas trazem consigo mesmo de bom ou de ruim. Somente os Médiuns Juramentados podem fazer isto, assim assumindo esta Responsabilidade.
5. É perigoso dar consulta, pois no momento da consulta você assume uma Responsabilidade Espiritual séria consigo mesmo.
6. A alimentação, bem como o zelo pelo seu corpo físico, é fator preponderante para a boa captação dos Fluídos que emanam do Aspiral Ascendente formado pela Ectoplasmia de todos e que de lá vem à verdadeira quota para cada um, de acordo com seus merecimentos. O valor da Entidade depende do Corpo Físico e Mental do cavalo e se o mesmo não tiver uma boa saúde Psico-Físico e Mental a Entidade não terá nada para dar a quem necessite.
7. Acompanhe mentalmente e cante as Curimbas, pois as mesmas são Orações cantadas e trazem nas suas palavras verdadeiras Filosofias de Vida e Ensinamentos. Não interceda nos Curimbeiros solicitando cantar esta ou aquela Curimba simplesmente porque você acha bonita ou que rima bem. A Curimba é fator de importância nos trabalhos, cabe a quem estiver comandando a Gira ordená-las de acordo com a necessidade.
8. Abra o seu coração, Oxalá veio ao mundo e não o virou, trouxe a sua Doutrina e foi um observador, não será você que poderá julgar os outros. Seja, portanto, um observador oculto da vida, pois viemos ao Mundo para sermos comandados e não comandantes. Seja um pequeno homem num Mundo grande e não um grande homem num Mundo pequeno.
9. Mediunidade é uma coisa e Doutrina Espírita é outra. A Mediunidade processa-se de diversas maneiras, quer na audição, tato, visão, olfato, incorporação e etc… Doutrinação é o que fazemos nas Giras com as Entidades, pois: Trabalhamos para as Almas e não com as Almas.
10. A nossa Doutrina não conserta a vida de ninguém, mas cria condições para que cada um conserte a sua própria vida de acordo com o seu paladar.
11. Numa sessão todos são vistos e observados e cabe a cada um a Responsabilidade Espiritual de seus atos.
12. Abra a sua mente para que você possa verdadeiramente levar consigo e para os seus verdadeiros fluídos de Paz e Felicidade de acordo com seu merecimento.
13. Não interceda na vida dos outros os aconselhando, pois você não sabe dos merecimentos dos mesmos e assim procedendo você não assume Responsabilidades Espirituais. Lembre-se do Livre Arbítrio de cada um. Viva a Indiferença Construtiva da sua própria existência.
14. Não se esqueça do compromisso que você assume com o Caboclo Mirim desde que você resolveu frequentar a sua casa. Escolha para você próprio os ambientes que frequentar, não participando de trabalhos baixos, pois a responsabilidade será somente sua e você, um dia, prestará conta da mesma. O Mundo dos Mortos é incomensurável e nele habitam os mais diversos tipos de Espíritos, portanto não os invoque sem conhecimento de causa.
15. A Umbanda não faz matança, pois os animaizinhos são nossos irmãos e a Lei da Fraternidade Universal as proíbe.
16. Seja dono do Mundo Material que você possui não deixando que o mesmo seja o seu próprio dono. Goste do que lhe pertence, mesmo sendo pouco.
17. Viva a Vida como ela se apresenta para você na sua verdadeira beleza, prezando conscientemente pelo seu Corpo Físico e Espiritual. Não se esqueça que as cicatrizes do Corpo Físico logo saram, mas as cicatrizes da Alma cada um carregará pela Eternidade.
18. Zele também por sua Alma enquanto lhe sobra tempo nesta Fase Corpórea. Leia o Livro da sua própria Existência todo dia.

Ritualística

A “Escola da Vida”, fundada pelo Caboclo Mirim, possui uma ritualística diferente das conhecidas. De acordo com os seus ensinamentos, há iniciados do Primeiro ao Sétimo grau de iniciação. Estes graus são atribuídos aos médiuns e não às Entidades. Estes graus estão classificados em tupi-guarani, desta forma:

  • Cabeça de Bojá-mirim – 1º grau: Médiuns Iniciantes. Estes médiuns estão em desenvolvimento e devem procurar ensinamentos com os médiuns dos demais graus superiores e se aperfeiçoarem moralmente, evitando vícios de todas as espécies e desequilíbrios de qualquer ordem. Devem, ainda, estar firmes em seus propósitos de desenvolvimento, evitando que sugestões de espíritos inferiores cheguem às suas mentes em forma de sensação, pois os espíritos inferiores não gostam de iniciantes que se propõem a um desenvolvimento mediúnico sério para futuramente desfazerem os trabalhos de magia negra que estes espíritos inferiores teriam feito.
  • Cabeça de Bojá – 2º grau: Médiuns de Banco. São os responsáveis pelo descarrego de energias negativas e pela doação de fluido vital para os espíritos necessitados que passarem pelo seu corpo durante uma sessão de caridade espiritual. Estes médiuns, assim como os iniciantes, devem estar atentos aos pensamentos de desestímulo em relação à continuidade de seu caminho na Umbanda, evitando assim que espíritos inferiores atrapalhem sua caminhada. Devem ser assíduos, estando na sua tenda sempre que possível para prestarem sua caridade.
  • Cabeça de Bojáguaçu – 3º grau: Médiuns de Terreiro. São médiuns passistas. Este grau é uma grande mudança em relação às responsabilidades do médium no Terreiro, pois o médium deve saber aplicar um passe, a forma ideal de aplicá-lo, e os devidos resguardos antes da sessão.
  • Cabeça de Abaré-mirim – 4º grau: Sub-Chefes de Terreiro. São médiuns que, além de já estarem firmes no passe e com conhecimento suficiente sobre a dinâmica das sessões e passarão a tomar conta do terreiro, orientando os médiuns de graus anteriores.
  • Cabeça de Abaré – 5º grau: Chefes de Terreiro. São médiuns que devem orientar os médiuns de graus anteriores sobre como proceder nos passes. Além disso, é neste grau que se inicia a trajetória do médium para consultas espirituais. Adicionalmente, médiuns deste grau já devem ter responsabilidades com os demais médiuns de graus anteriores durante as sessões e giras, orientando-os sempre que necessário.
  • Cabeça de Abaréguaçu – 6º grau: Sub-comandante chefe de terreiro. São médiuns que estão se preparando para Escola de Comando. Devem focar em obter experiência da ritualística dos trabalhos espirituais e se preparar para aprender a comandar sessões.
  • Cabeça de Morubixaba – 7º grau: Comandante Chefe de Terreiro. São os médiuns comandantes de terreiro. São os dirigentes de sessão e devem orientar todos os demais graus.
  • Após 100 anos a Umbanda Cresceu e se diversificou e entre elas surgiu a umbanda do caboclo mirim que foi fundada pelo Caboclo Mirim através do seu médium Benjamin Gonçalves Figueiredo (26/12/1902 – 03/12/1986), surgida no Rio de Janeiro, RJ, em 13/03/1920, com a fundação da Tenda Espírita Mirim.

 

 

Fundamentos da Umbanda
A existência de uma fonte criadora universal, um Deus supremo, chamado Zambi. Algumas das entidades, quando incorporadas, podem nomeá-lo de outra forma, como por exemplo Tupã para caboclos, entre outros, mas são todos o mesmo Deus;
A obediência aos ensinamentos básicos dos valores humanos, como: fraternidade, caridade e respeito ao próximo. Sendo a caridade uma máxima encontrada em todas as manifestações existentes;
O culto aos orixás como manifestações divinas em que cada orixá controla e se confunde com um elemento da natureza do planeta ou da própria personalidade humana, em suas necessidades e construções de vida e sobrevivência;
A manifestação dos Guias para exercer o trabalho espiritual incorporado em seus médiuns ou “aparelhos”, também chamados de “cavalos”;
O mediunismo como forma de contato entre o mundo físico e o espiritual, manifestado de diferentes formas;
Uma doutrina, uma regra, uma conduta moral e espiritual que é seguida em cada casa de forma variada e diferenciada, mas que existe para nortear os trabalhos de cada terreiro;
A crença na imortalidade da alma;
A crença na reencarnação e nas leis cármicas;

A Umbanda do Caboclo Mirim

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No meio dos anos 70, uma série de experimentos de laboratório feitos por Robert Zajonc demonstraram que a exposição de indivíduos a estímulos familiares era suficiente para que eles fossem classificados de uma maneira mais positiva, em comparação a estímulos similares que, no entanto, ainda não haviam sido apresentados. Esse efeito é conhecido como o efeito da “mera exposição” ou “efeito de familiaridade”, e é algo que motiva os investimentos em publicidade.

Ou seja, esse experimento afirma que ainda que algo não seja muito atrativo, vamos nos acostumar com a sua presença pelo mero fato de nos familiarizarmos com ele. No entanto, a psicologia humana é um pouco mais complexa. Atingindo um determinado ponto, ainda que algo nos seja apresentado muitas vezes, pode deixar de resultar familiar para passar a sobrecarregar, a ser pesado e desmotivador.

O ditado de que “podemos nos acostumar até com o pior” não parece se cumprir sempre na realidade. Existem fatos que foram prejudicando nossa paciência e desejamos que deixem de ser comuns, queremos que esse mal esteja fora da nossa vida. Esse é o luxo de nos afastarmos daquilo que esgota a nossa paciência. É um luxo porque às vezes está fora do nosso alcance, e porque seus benefícios costumam ser um completo elixir de serenidade e calmaria.

 

Levar nossa paciência ao limite: um jogo nada divertido

Existem muitas habilidades que tornam-se assombrosas quando são postas à prova em situações extremas. Não ocorre o mesmo com a paciência, essa capacidade que parece se esgotar e se consumir com determinadas pessoas e situações que a levam ao limite com bastante frequência.

Pessoas que pedem “perdão” continuamente, que justificam erros recorrentes, explosões e falta de consideração. Situações monótonas e eternas, que se reproduzem no tempo uma e outra vez, variando de forma, mas não na substância: você sempre acaba exausta, dolorida e irritada.

Todo esse acúmulo de sensações nos leva a uma reflexão sobre a teoria, mas não sobre a prática: brincar com a nossa paciência não é algo divertido, é esgotante e frustrante. Fazer “vista grossa” uma e outra vez a respeito de atitudes que nos machucam é o oposto da maturidade, é masoquismo emocional.

 

Valorizar minha paciência

Antes de analisar e julgar aquilo que prejudica a nossa paciência, deveríamos analisar a nós mesmos. Se você volta a se expor continuamente a aquilo que o irrita, está expondo o seu corpo descoberto a um batalhão de facas cada vez mais afiadas, cada vez mais precisas e certeiras no dano que causam em você.

Se você já sabe o que tem que fazer e não o faz, não é uma responsabilidade alheia, mas sim apenas sua. Você já sabe ao que está se expondo, então ter uma nova decepção é uma questão de tempo. Você está brincando de roleta russa com sua paciência e dignidade. Ainda que acredite que o faz para não evitar conflitos com pessoas que gosta, está concedendo carta branca a tudo aquilo que não tem consideração por você.

Portanto, a paciência é uma capacidade limitada. É uma virtude quando a colocamos a serviço de algo que nos interessa ter a longo prazo ou quando precisamos bastante em situações excepcionais, como uma grande travessura de criança ou suportar um atraso de alguém.

Por isso, a paciência não deve nos definir, mas nos caracterizar: tenho paciência para aquilo que merece ou para aquilo que não encontro outro remédio. Não tenho paciência para aquilo que me irrita sem motivo aparente de forma contínua, esperando de mim absoluta complacência e silêncio. Isso não é ser paciente, isso é machucar-se sem necessidade alguma, sem ter outra recompensa certa a não ser a dor.

 

Colocar limites nos outros para que a nossa paciência não chegue ao seu limite

A chave para conservar nossa paciência naquilo que realmente precisa dela é não gastá-la com aquilo que não a requer. Se uma amiga sempre muda os planos de acordo com a sua conveniência, se um companheiro de trabalho chega sempre tarde ou se alguém mente de maneira costumeira, devemos fazer com que ele veja que não gostamos do seu comportamento e que não estamos dispostos a seguir tolerando isso.

O silêncio a respeito de atitudes e comportamentos que nos machucam nos converte em cúmplices da dor que outros nos causam. A bondade e a paciência têm um limite, e é a perda da ingenuidade de supor que as coisas vão mudar sozinhas, sem que a gente tome partido da situação que nos afeta de forma direta

Afastar-se daquilo que esgota a sua paciência é um luxo e uma boa decisão, pois não temos que voltar a transitar pelos caminhos em que na maioria das vezes encontramos desculpas, mentiras, desconsideração ou desprezo. Querer guardar sua paciência é gostar de si mesmo.

Algumas pessoas ficarão surpresas por seguir esse caminho saudável, já que carecem de um senso de autocrítica e não estão conscientes de que a sua paciência é um bem limitado, e de que a energia para suportar contínuos desaforos tem que ser utilizada de uma maneira melhor.

A paciência deve ser dirigida para algo que lhe devolva sempre mal-estar e nervosismo. Por mais familiar que isso tenha sido em nossas vidas, todo mundo tem a capacidade para dizer “chega” ou “não quero mais suportar isso”. Nossa paciência é um valor, mas também um farol que identifica as pessoas que só a colocam à prova de maneira informal.

Por: Resiliência Humana

 

Dou-me ao luxo de me afastar daquilo que esgota a minha paciência

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1 – Usar branco não é fácil.
Pode parecer que é fácil, mas não é.
Essa cor traz uma responsabilidade enorme. Você terá que aprender a vigiar seus atos, zelar pelo seu espiritual e entender que há irmãos que precisam, naquele momento, mais do que você. Então, você trocará festas, shows, amigos, bebidas e um dia de descanso, para se doar algumas horas para uma pessoa que você nunca viu e provavelmente nunca mais vai ver, mas posso te garantir, vale a pena.

 

2 – Você é um médium 24 horas por dia e não só no terreiro.
Não adianta você se enganar dizendo que é médium só no terreiro porque você não é. A mediunidade faz parte de você, sempre fez, e isso não vai mudar. Aos poucos você vai descobrir isso e entender que a espiritualidade não é culpada pela sua colheita. Eles te mostram um caminho, mas você tem o livre arbítrio e realiza suas próprias escolhas.
Você planta, você colhe.

 

3 – As entidades não estão ali de brincadeira.
Nenhuma entidade esta ali de brincadeira. Todas elas, sem exceção, estão ali para trabalhar, ensinar e também aprender, por isso, ouça-os com atenção e trate-os com muito carinho e respeito.

 

4 – Exú é uma entidade de Lei.
Você vai entender que Exú não esta ali para brincar, beber, fumar, dar em cima de alguém ou amarrar uma pessoa. Não. Eles não são assim.
Exús e Pombo Giras são entidades que trabalham nos planos inferiores sob a Lei do Pai Maior. São eles que nos protegem na entrada, na saída e nas encruzilhadas dessa vida.
Alguns são brincalhões outros mais firmes, mas todos carregam consigo a seriedade em seu trabalho, se utilizando somente da energia da bebida e do fumo, nada mais. E se for preciso Exú trabalhar sem a bebida ou o fumo, ele trabalhará, sem dúvidas.

 

5 – É preciso ajudar e não só participar.
Ser médium e fazer parte de um terreiro não é só chegar no dia da Gira e fazer seu trabalho. Não. Não é assim.
O chão que você encontrou limpo, alguém limpou. A vela que você usou, alguém comprou. O banho que você tomou, alguém macerou. O local que você esta, a luz que você utiliza e a água que você bebe, alguém pagou. Então, ajude…
Ajude a limpar quando puder, leve o seu material de trabalho e, toda vez que possível, auxilie na compra daquilo que falta na Casa, colabore com o que conseguir para a manutenção do aluguel, da água e da luz…
Não. Isso não é sua obrigação, eu sei, mas também não é minha e nem do Dirigente que ali se encontra. A obrigação é nossa. Nós temos que manter e cuidar do lugar onde nossa espiritualidade escolheu para trabalhar.

 

6 – Cansa.
Isso eu preciso te falar: Irmão, cansa.
Existe um antes, durante e depois, vou explicar:
ANTES de todo e qualquer trabalho, o terreiro precisa ser limpo da maneira correta e as firmezas precisam ser devidamente cuidadas.
Você precisará se alimentar de maneira correta, tomar seu banho de defesa, acender suas velas e se direcionar ao terreiro, algumas horas antes do inicio dos trabalhos, para ajudar, tentando permanecer sempre em silêncio.
DURANTE todo e qualquer trabalho, você estará fornecendo e recebendo energias, então, é importante que o processo do ANTES tenha sido cumprido com rigor.
Se você for médium de passe, lidará diretamente com energias. Se você for cambono, também lidará diretamente com energias, por isso, em todos os casos e cargos, é importante manter a firmeza.
DEPOIS de todo e qualquer trabalho, é preciso deixar o ambiente limpo de novo, então, pegue a vassoura, a pá, a esponja e mãos a obra.
Dia seguinte você com certeza estará com o corpo dolorido, entretanto, digo mais uma vez a você: vale a pena.

 

7 – Você vai se apaixonar.
Independentemente dos 6 itens acima, você vai se apaixonar.

Seja você um cambono, um médium de passe, um médium em desenvolvimento, um futuro sacerdote ou um simples consulente, esteja você na corrente ou na assistência, você vai se apaixonar por essa religião e nada, NADA, vai pagar a sensação de paz que vai te invadir ao receber um abraço sincero de alguém que você nunca viu, ao ver um sorriso no rosto de quem chegou chorando, ao ouvir o mais simples e sincero “obrigado”… Nada vai pagar.

 

Fonte: Página Mensagens e Orixas no Facebook

7 coisas que você só descobre depois de se tornar Umbandista

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Umbanda Sagrada
Outros nomes: Não possui.
Origem: É a vertente fundamentada por Pai Benedito de Aruanda e pelo Ogum Sete Espadas da Lei e da Vida, através do seu médium Rubens Saraceni (1951 – ), surgida em São Paulo, SP, em 1996, com a criação do Curso de Teologia de Umbanda. Sua doutrina procura ser totalmente independente das doutrinas africanistas, espíritas, católicas e esotéricas, pois considera que a Umbanda possui fundamentos próprios e independentes dessas tradições, embora reconheça a influências das mesmas na religião.
Foco de divulgação: Os principais focos de divulgação dessa vertente são: o Colégio de Umbanda Sagrada Pai Benedito de Aruanda, fundado em 1999; o Instituto Cultural Colégio Tradição de Magia Divina, fundado em 2001; a Associação Umbandista e Espiritualista do Estado de São Paulo, fundada em 2004; os livros escritos por Rubens Saraceni; o Jornal de Umbanda Sagrada editado por Alexandre Cumino; o programa radiofônico Magia da Vida; e os colégios e tendas criadas por seus discípulos.
Orixás: Nesta vertente os adeptos podem realizar o culto aos santos católicos da maneira que melhor lhes convier e os Orixás são entendidos como manifestações de Deus que ocorreram sobre diferentes nomes em diferentes épocas, sendo reinterpretados de maneira totalmente distinta das tradições africanas, não havendo nenhuma vinculação dos mesmos com elas. Considera a existência de catorze Orixás agrupados como casais em sete tronos divinos: Oxalá e Logunan (Trono da Fé); Oxum e Oxumaré (Trono do Amor); Oxóssi e Obá (Trono do Conhecimento); Xangô e Iansã (Trono da Justiça); Ogum e Egunitá (Trono da Lei); Obaluaiê e Nanã (Trono da Evolução); e Iemanjá e Omulu (Trono da Geração). Os sete primeiros de cada par são chamados Orixás Universais, responsáveis pela sustentação das ações retas e harmônicas, e os outros sete, Orixás Cósmicos, responsáveis pela atuação corretiva sobre as ações desarmônicas e invertidas, sendo que alguns deles seriam considerados manifestações do mesmo Orixá nas tradições africanas (Obaluaiê/Omulu e Iansã/Egunitá).
Linhas de trabalho: Considera como linha de trabalho cada tipo de entidade: de Caboclos(as), de Pretos(as)-Velhos(as), de Crianças, de Baianos, etc.
Entidades: Os trabalhos são realizados por diversas entidades: Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças, Boiadeiros, Baianos(as), Marinheiros, Sereias, Povo(s) do Oriente, Ciganos(as), Exus, Pombagiras, Exus-Mirins e Malandros(as).
Ritualística: A roupa branca é a vestimenta usada pelos médiuns durante as giras e encontra-se o uso de guias, fumo, defumadores, velas, bebidas, atabaques, imagens e pontos riscados nos trabalhos.
Livros doutrinários: Esta vertente usa toda a bibliografia publicada por Rubens Saraceni, tendo os seguintes livros como principais fontes doutrinárias: “A evolução dos espíritos”; “A tradição comenta a evolução”; “As sete linhas de evolução”; “As sete linhas de Umbanda: a religião dos mistérios”; “Código de Umbanda”; “Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada”; “Formulário de consagrações umbandistas: livro de fundamentos”; “Hash-Meir: o guardião dos sete portais de luz”; “Lendas da criação: a saga dos Orixás”; “O ancestral místico”; “O código da escrita mágica simbólica”; “O guardião da pedra de fogo: as esferas positivas e negativas”; “O guardião das sete portas”; “O guardião dos caminhos: a história do senhor Guardião Tranca-Ruas”; “Orixá Exu-Mirim”; “Orixá Exu: fundamentação do mistério Exu na Umbanda”; “Orixá Pombagira”; “Orixás: teogonia de Umbanda”; “Os arquétipos da Umbanda: as hierarquias espirituais dos Orixás”; “Os guardiões dos sete portais: Hash-Meir e o Guardião das Sete Portas”; “Rituais umbandistas: oferendas, firmezas e assentamentos”; e “Umbanda Sagrada: religião, ciência, magia e mistérios”.

Série: Umbandas dentro da Umbanda

Umbanda: Sagrada (Saraceni)

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Umbanda dos Sete Raios
Outros nomes: Não possui.
Origem: É a vertente fundamentada por Ney Nery do Reis (Itabuna, (26/09/1929 – ), mais conhecido como Omolubá, e por Israel Cysneiros, surgida no Rio de Janeiro, RJ, em novembro de 1978, com a publicação do livro “Fundamentos de Umbanda – Revelação Religiosa”
Foco de divulgação: Os principais focos de divulgação dessa vertente são as obras escritas por Omolubá e as tendas criadas por seus discípulos.
Orixás: Nesta vertente não existe o culto aos santos católicos e os Orixás foram reinterpretados em relação às tradições africanas. Considera a existência de doze Orixás, divididos em sete raios: 1º raio, Iemanjá e Nanã; 2º raio, Oxalá; 3º raio, Omulu; 4º raio, Oxóssi e Ossãe; 5º raio, Xangô e Iansã; 6º raio, Oxum e Oxumaré; e 7º raio, Ogum e Ibejs.
Linhas de trabalho: Considera como linha de trabalho cada tipo de entidade: de Caboclos(as), de Pretos(as)-Velhos(as), de Crianças, de Baianos, etc.
Entidades: Os trabalhos são realizados por diversas entidades: Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças, Orientais, Boiadeiros, Baianos(as), Marinheiros, Ciganos(as), Pilintras, Exus e Pombagiras.
Ritualística: Embora a roupa branca seja a vestimenta principal dos médiuns, essa vertente aceita o uso de roupas de outras cores pelas entidades, bem como o uso de complementos (tais como capas e cocares) e de instrumentais próprios (espada, machado, arco, lança, etc.). Nela encontra-se o uso de guias, imagens de entidades, fumo, defumadores, velas, bebidas, pontos riscados e atabaques nos trabalhos.
Livros doutrinários: Esta vertente possui os seguintes livros e periódicos como fonte doutrinária: “ABC da Umbanda: única religião nascida no Brasil”; “Almas e Orixás na Umbanda”; “Cadernos de Umbanda”; “Fundamentos de Umbanda: revelação religiosa”; “Magia de Umbanda: instruções religiosas”; “Manual prático de jogos de búzios”; “Maria Molambo: na sombra e na luz”; “Orixás, mitos e a religião na vida contemporânea”; “Pérolas espirituais”; “Revista Seleções de Umbanda”; “Tranca Ruas das Almas: do real ao sobrenatural”; “Umbanda, poder e magia: chave da doutrina”; e “Yemanjá, a rainha do mar”.

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Umbanda Aumpram
Outros nomes: É também conhecida como: Aumbandhã; e Umbanda Esotérica.
Origem: É a vertente fundamentada por Pai Tomé (também chamado Babajiananda) através do seu médium Roger Feraudy (?/?/1923 – 22/03/2006), surgida no Rio de Janeiro, RJ, em 1986, com a publicação do livro “Umbanda, essa desconhecida”. Esta vertente é uma derivação da Umbanda Esotérica, das quais foi se distanciando ao adotar os trabalhos de apometria e ao desenvolver a sua doutrina da origem da Umbanda, a qual prega que a mesma surgiu a 700.000 anos em dois continentes míticos perdidos, Lemúria e Atlântida, que teriam afundado no oceano em um cataclismo planetário, os quais teriam sido os locais em que terráqueos e seres extraterrestres teriam vividos juntos e onde estes teriam ensinado àqueles sobre o Aumpram, a verdadeira lei divina.
Foco de divulgação: Os principais focos de divulgação dessa vertente são: os livros escritos por Roger Feraudy; e as tendas e fraternidades criadas por seus discípulos.
Orixás: Nesta vertente não existe o culto aos santos católicos e os Orixás foram reinterpretados de maneira totalmente distinta das tradições africanas, não havendo nenhuma vinculação dos mesmos com elas. Considera a existência dos 7 Orixás da Umbanda Esotérica (Oxalá, Yemanjá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Yori e Yorimá) e mais Obaluaiê, o qual consideram o Orixá oculto da Umbanda.
Linhas de trabalho: Considera a existência de sete linhas de trabalho, que recebem o nome dos 7 Orixás: de Oxalá, de Yemanjá, de Ogum, de Oxóssi, de Xangô, de Yori (onde agrupa as Crianças) e de Yorimá (onde agrupa os Pretos-Velhos e as Pretas-Velhas).
Entidades: Os trabalhos são realizados somente por Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças e Exus, sendo que estes últimos não são considerados trabalhadores da Umbanda e sim da Quimbanda.
Ritualística: A roupa branca é a vestimenta usada pelos médiuns durante as giras e encontra-se o uso da imagem de Jesus Cristo, fumo, defumadores, velas, cristais e incensos nos trabalhos, porém as guias e os atabaques não são utilizados nas cerimônias.
Livros doutrinários: Esta vertente usa os seguintes livros como principais fontes doutrinárias: “Umbanda, essa desconhecida”; “Erg, o décimo planeta”; “Baratzil: a terra das estrelas”; e “A terra das araras vermelhas: uma história na Atlântida”.

Série: Umbandas dentro da Umbanda

Umbanda: Sete Raios (Feraudy) e Aumpram (Rivas Neto)

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Umbanda Esotérica
Outros nomes: É também conhecida como: Aumbandã; Aumbhandan; Conjunto de Leis Divinas; Senhora da Luz Velada; e Umbanda de Pai Guiné.
Origem: É a vertente fundamentada por Pai Guiné de Angola através do seu médium Woodrow Wilson da Matta e Silva, também conhecido com Mestre Yapacani (28/06/1917 – 17/04/1988), surgida no Rio de Janeiro, RJ, em 1956, com a publicação do livro “Umbanda de todos nós”. Sua doutrina é fortemente influenciada pela Teosofia, pela Astrologia, pela Cabala e por outras escolas ocultistas mundiais e baseada no instrumento esotérico conhecido como Arqueômetro, criado por Saint Yves D’Alveydre e com o qual se acredita ser possível conhecer uma linguagem oculta universal que relaciona os símbolos astrológicos, as combinações numerológicas, as relações da cabala e o uso das cores.
Foco de divulgação: Os principais focos de divulgação dessa vertente são: os noves livros escritos por Matta e Silva; e as tendas e ordens criadas por seus discípulos.
Orixás: Nesta vertente não existe o culto aos santos católicos e os Orixás foram reinterpretados de maneira totalmente distinta das tradições africanas, não havendo nenhuma vinculação dos mesmos com elas. Considera a existência de sete Orixás: Orixalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Yemanjá, Yori, Yorimá, sendo que dois deles não existem nas tradições africanas (Yori e Yorimá).
Linhas de trabalho: Considera a existência de sete linhas de trabalho, que recebem o nome dos Orixás: de Oxalá, de Yemanjá, de Ogum, de Oxóssi, de Xangô, de Yori (onde agrupa as Crianças) e de Yorimá (onde agrupa os Pretos-Velhos e as Pretas-Velhas).
Entidades: Os trabalhos são realizados somente por Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças e Exus, sendo que estes últimos não são considerados trabalhadores da Umbanda e sim da Quimbanda.
Ritualística: A roupa branca é a vestimenta usada pelos médiuns durante as giras e encontra-se o uso de guias feitas de elementos naturais, um quadro com o rosto de Jesus Cristo, fumo, defumadores, velas, bebidas, cristais e tábuas com ponto riscado nos trabalhos, porém os atabaques não são utilizados nas cerimônias.
Livros doutrinários: Esta vertente usa os seguintes livros como principais fontes doutrinárias: “Doutrina secreta da Umbanda”; “Lições de Umbanda e Quimbanda na palavra de um Preto-Velho”; “Mistérios e práticas da lei de Umbanda”; “Segredos da magia de Umbanda e Quimbanda”; “Umbanda de todos nós”; “Umbanda do Brasil”; “Umbanda: sua eterna doutrina”; “Umbanda e o poder da mediunidade”; e “Macumbas e Candomblés na Umbanda”.

 

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Umbanda Guaracyana

Outros nomes: Não possui.
Origem: É a vertente fundamentada pelo Caboclo Guaracy através do seu médium Sebastião Gomes de Souza (1950 – ), mais conhecido como Carlos Buby, surgida em São Paulo, SP, em 02/08/1973, com a fundação da Templo Guaracy do Brasil.
Foco de divulgação: Os principais focos de divulgação dessa vertente são os Templos Guaracys do Brasil e do Exterior.
Orixás: Nesta vertente não existe o culto aos santos católicos e os Orixás foram reinterpretados em relação às tradições africanas, havendo, entretanto, uma ligação dos mesmos com elas. Considera a existência de dezesseis Orixás, divididos em quatro grupos, relacionados aos quatro elementos e aos quatro pontos cardeais: Fogo/Sul (Elegbara, Ogum, Oxumarê, Xangô), Terra/Oeste (Obaluaiê, Oxóssi, Ossãe, Obá), Norte/Água (Nanã, Oxum, Iemanjá, Ewá) e Leste/Ar (Iansã, Tempo, Ifá e Oxalá).
Linhas de trabalho: Considera como linha de trabalho cada tipo de entidade: de Caboclos(as), de Pretos(as)-Velhos(as), de Crianças, de Baianos, etc.
Entidades: Os trabalhos são realizados por diversas entidades: Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças, Boiadeiros, Baianos(as), Marinheiros, Ciganos(as), Exus e Pombagiras.
Ritualística: Roupas coloridas (na cor do Orixá) são a vestimenta usada pelos médiuns durante as giras e encontra-se o uso de guias, fumo, defumadores, velas e atabaques nos trabalhos, porém não são utilizadas imagens e bebidas nas cerimônias.
Livros doutrinários: Esta vertente não possui um livro específico como fonte doutrinária.

 

Série: Umbandas dentro da Umbanda

Umbanda: Esotérica (Matta e Silva) e Guaracyana

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Umbandomblé
Outros nomes: É também conhecida como Umbanda Traçada.
Origem: É fruto da umbandização de antigas casas de Candomblé, notadamente as de Candomblé de Caboclo, porém não existe registro da data e do local inicial em que começou a ser praticada. Em alguns casos, o mesmo pai-de-santo (ou mãe-de-santo) celebra tanto as giras de Umbanda quanto o culto do Candomblé, porém em sessões diferenciadas por dias e horários.
Foco de divulgação: Não existe um foco principal de divulgação dessa vertente na atualidade.
Orixás: Nesta vertente existe um culto mínimo aos santos católicos e os Orixás são fortemente vinculados às tradições africanas, principalmente as da nação Ketu, podendo inclusive ocorrer a presença de outras entidades no panteão que não são encontrados nas demais vertentes da Umbanda (Oxalufã, Oxaguiã, Ossain, Obá, Ewá, Logun-Edé, Oxumaré).
Linhas de trabalho: Considera como linha de trabalho cada tipo de entidade: de Caboclos(as), de Pretos(as)-Velhos(as), de Crianças, de Baianos, etc.
Entidades: Os trabalhos são realizados por diversas entidades: Falangeiros de Orixá, Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças, Boiadeiros, Baianos(as), Marinheiros, Sereias, Ciganos(as), Exus, Pombagiras e Malandros(as).
Ritualística: Embora a roupa branca seja a vestimenta principal dos médiuns, essa vertente aceita o uso de roupas de outras cores pelas entidades, bem como o uso de complementos (tais como capas e cocares) e de instrumentais próprios (espada, machado, arco, lança, etc.). Nela encontra-se o uso de guias, imagens dos Orixás na representação africana, fumo, defumadores, velas, bebidas e atabaques nos trabalhos.
Nesta vertente também são utilizadas algumas cerimônias de iniciação e avanço de grau semelhantes à forma como são realizadas nos Candomblés, incluindo o sacrifício de animais, podendo ser encontrado, também, curimbas cantadas em línguas africanas (banto ou iorubá).
Livros doutrinários: Esta vertente não possui um livro específico como fonte doutrinária.

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Umbanda Eclética Maior
Outros nomes: Não possui.
Origem: É a vertente fundamentada por Oceano de Sá (23/02/1911 – 21/04/1985), mais conhecido como Mestre Yokaanam, surgida no Rio de Janeiro, RJ, em 27/03/1946, com a fundação da Fraternidade Eclética Espiritualista Universal.
Foco de divulgação: Os principais focos de divulgação dessa vertente são a sede da fraternidade e suas regionais.
Orixás: Nesta vertente existe uma forte vinculação dos Orixás aos santos católicos, sendo que aqueles foram reinterpretados de maneira totalmente distinta das tradições africanas, não havendo nenhuma vinculação dos mesmos com elas. Considera a existência de pelo menos nove Orixás: Oxalá, Ogum, Ogum de Lei, Oxóssi, Xangô, Xangô-Kaô, Yemanjá, Ibejês e Yanci, sendo que um deles não existe nas tradições africanas (Yanci) e alguns deles seriam considerados manifestações de um Orixá em outras vertentes (Ogum de Lei/Ogum e Xangô-Kaô/Xangô).
Linhas de trabalho: Considera a existência de sete linhas de trabalho, fortemente associadas a santos católicos: de São Jorge (Ogum), de São Sebastião (Oxóssi), de São jerônimo (Xangô), de São João Batista (Xangô-Kaô), de São Custódio (Ibejês), de Santa Catarina de Alexandria (Yanci) e São Lázaro (Ogum de Lei).
Entidades: Os trabalhos são realizados principalmente por Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), e Crianças.
Ritualística: A roupa branca é a vestimenta usada pelos médiuns durante as giras e encontra-se o uso de uma cruz, um quadro com o rosto de Jesus Cristo, velas, porém os atabaques, as guias, as bebidas e fumo não são utilizados nas cerimônias.
Livros doutrinários: Esta vertente usa os seguintes livros como principais fontes doutrinárias: “Evangelho de Umbanda”; “Manual do instrutor eclético universal”; “Yokaanam fala à posteridade”; e “Princípios fundamentais da doutrina eclética”.

Série: Umbandas dentro da Umbanda

Umbandas: Umbandomblé e Eclética